Há um lugar que convida à descoberta e desperta os sentidos, pelas cores, pelos cheiros, pelos sabores, pelo trato amável e hospitalidade das suas gentes. Esse lugar é Alfândega da Fé.
Um território que a natureza tão bem soube moldar, feito terreno fértil pelas mãos experientes dos homens e mulheres que, desde sempre, fizeram da terra o seu sustento. De facto, a agricultura ainda se assume como a principal atividade económica do concelho. A produção de azeite alcança, neste campo, lugar cimeiro. Alfândega da Fé é um dos principais centros produtivos da região transmontana.
Presença indispensável à mesa, importante fonte de rendimento para os agricultores, em Alfândega da Fé produz-se um azeite de características absolutamente únicas. O Azeite produzido neste território é dotado de qualidades gustativas excecionais, que refletem a tipologia da azeitona que lhe deu origem.


Este produto das terras de Alfândega é de categoria superior, a comprová-lo os diversos prémios e distinções que tem recebido. Aqui podem encontrar-se azeites DOP Trás-os-Montes, os Biológicos, os virgens ou virgens extra, produzidos de acordo com as técnicas tradicionais. Os azeites do concelho apresentam-se com diversas marcas, mas com a garantia do saber fazer e qualidade que lhe dão séculos de experiência na produção e transformação da azeitona. A produção está concentrada em três lagares: Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé; M. C. Rabaçal & Aragão e Lagar da Parada, responsáveis pela transformação da quase totalidade das azeitonas produzidas no concelho. Em média são produzidos e transformados cerca de 7.5 milhões de quilos de Azeitona no concelho.
A importância deste produto na dinamização da economia concelhia é também fator de atenção especial por parte da Câmara Municipal de Alfândega da Fé, que entende que este é muito mais do que um simples produto gastronómico. Se é à mesa que este se destaca, tem também muito para contar quando se fala em identidade do território. O azeite está de facto enraizado na cultura concelhia, faz parte da identidade local, a ele se associam rituais e tradições. Daí que a Câmara veja neste produto fator de diferenciação e afirmação das marcas territoriais. É neste sentido que tem vindo a trabalhar, querendo afirmar Alfândega da Fé como um “Lugar do Azeite Transmontano”. Esse produto que pelas suas caraterísticas desperta cada vez mais interesse e curiosidade, esse produto nascido da terra e símbolo da cultura e história do concelho de Alfândega da Fé.

Situado no Nordeste Transmontano, na zona de Transição da Terra Fria para a Terra Quente Transmontana, com cerca de 5 mil habitantes, o concelho é, atualmente, composto por 12 freguesias distribuídas ao longo de 321,95 Km2, numa diversidade paisagística que alterna entre os 700 e os 1200 metros de altitude. A Serra de Bornes ou Serra de Monte Mel, como outrora se designava, sempre se manteve como a fiel guardiã deste território. Do alto dos seus 1200m tem-se uma perspetiva de todo o concelho. Um território que nos embriaga pelos seus montes espetaculares, pelas cores admiráveis, pela riqueza e diversidade paisagística e natural.
As amendoeiras e cerejeiras em flor, os castanheiros, as oliveiras a lembrarem que o azeite também é rei por estas paragens, a luxuriosa vegetação tornam a paisagem única e singular. A cinegética, o turismo ativo e de fruição da natureza encontram aqui condições de excelência. Há também infraestruturas turísticas com grande qualidade como é o caso do Hotel Spa de Alfândega da Fé, em plena Serra de Bornes. Uma das imagens de marca do concelho, com uma SPA suspenso, ao ar livre, oferecendo uma das mais deslumbrantes vistas do Nordeste Transmontano. Começam também a surgir unidades de turismo rural com bastante qualidade e diferenciadas como é caso do projeto de Silo-Housing na Eucísia ou das Casas do Bairrinho em Sambade. As antigas escolas primárias transformadas em alojamentos rurais são outra das opções disponíveis. Para quem quiser conhecer mais da história e cultura pode programar junto do Posto de Turismo visitas guiadas aos principais pontos de interesse turístico e cultural. Neste campo merecem referência a Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, a Torre do Relógio e zona velha da Vila ou até o Museu ao ar Livre composto por um conjunto de esculturas, painéis cerâmicos e pinturas murais. Quem queira ficar a conhecer melhor as tradições e cultura local há também o Centro de Interpretação do Território, em Sambade, a única aldeia do concelho integrada na rede das “Aldeias de Portugal”. Os Santuários e templos concelhios também são motivo de atração. Neste campo destaque para o Santuário de Santo Antão da Barca e Santuário de Cerejais. Por outro lado, a agricultura e atividades conexas, são também elementos fundamentais quando associados ao movimento turístico. Existem produtos agrícolas de muita qualidade e um cluster agrícola que para além do azeite, inclui a amêndoa, castanha e hortofrutícolas. São também comercializados produtos resultantes da transformação destas matérias-primas: doçaria confecionada à base de amêndoa, os licores tradicionais, as compotas, para além do fumeiro e queijo também típicos desta região. Efetivamente, o turismo nomeadamente o associado aos recursos endógenos é uma área em franca expansão e desenvolvimento, fruto também da aposta no saber fazer local, nos traços identificativos do territórios e nas potencialidades que estes oferecem.


A cereja, apesar da produção ser relativamente recente, cedo se assumiu como um dos elementos impulsionadores neste campo. O que é facto é que a cereja de Alfândega da Fé foi-se afirmando, ao longo dos anos, como a principal imagem de marca deste concelho do Nordeste Trasmontano, a tal ponto que o logótipo do Município é uns brincos de cerejas a fazer lembrar que, há mais de 50 anos, o Eng. Camilo de Mendonça projetou para o concelho a maior plantação de cerejais da Península Ibérica. O projeto implicou também a criação da Cooperativa Agrícola Local, ainda hoje responsável pela maior mancha de pomares de cereja existente em Alfândega da Fé. Este fruto é também motivo de uma Festa, que se realiza nas primeiras semanas de junho e motivo acrescido para uma visita a Alfândega da Fé.
Essa Alfândega que traz no nome características que tão bem soube preservar. Terra fértil, hospitaleira e calma a convidar a uma estada mais prolongada. Assim a descreveram os Árabes quando no séc. VIII lhe atribuíram a designação de Alfandagh. Mais tarde, as lutas pela reconquista Cristã da Península acrescentaram-lhe a palavra Fé. Assim nasce o atual toponímico da vila e sede de um concelho, que sempre teve na Serra de Bornes, Vale da Vilariça e Rio Sabor os seus elementos de referência. Alfandagh – Alfândega – foi sede administrativa com alguma importância no tempo da ocupação muçulmana, mas sabe-se que o território já era habitado em tempos anteriores. A prová-lo os vestígios arqueológicos que o tempo ou estudos mais aprofundados se encarregaram de manter e revelar. A testemunhar que a Fé desta Alfândega há muito se começou a desenhar e que a Fé nesta Alfândega resiste às escaramuças da história, às investidas do tempo e se vai sedimentando com a força e determinação dos homens e mulheres que continuam, fielmente, a escrever a história deste território.

Uma história que em termos de nacionalidade, só se vê verdadeiramente reforçada a 8 de Maio de 1294, data em que D. Dinis lhe concede a primeira carta de foral. Em 1510 D. Manuel I concede-lhe nova Carta de Foral aumentado a área concelhia. No entanto, em Outubro de 1855, o concelho foi extinto, para em Janeiro de 1898 ser restaurado como circunscrição administrativa independente. Alfândega da Fé mantém, desde essa altura, os mesmos limites geográficos, que vão da Serra de Bornes até ao rio Sabor e do planalto de Castro Vicente até ao Vale da Vilariça.
É assim Alfândega da Fé onde o passado espreita a cada canto e o presente se molda com a determinação e vontade de todos os que fazem deste território um lugar único para viver e visitar.

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