TERRA DE ENCANTOS E PAIXÕES

Situada no coração da Terra Quente Transmontana e apelidada de “Capital do Azeite” pela grande expressão que o olival representa na economia das famílias, Vila Flor foi povoada desde tempos remotos, onde os seus encantos naturais causaram uma atração quase congénita.
Outrora denominada ‘Póvoa de Além Sabor’ foi rebaptizada pelo Rei D. Dinis, aquando da passagem por este burgo, a caminho de Miranda, a fim de se encontrar com sua esposa, Isabel de Aragão. Concedendo-lhe foral em 1286
O território de Vila Flor desenvolve-se em três zonas distintas:
• Rota do Vale da Vilariça
• Rota do Planalto
• Rota do Vale do Tua

Rota do Vale da Vilariça

A nascente do Concelho de Vila Flor e integrando a Região Demarcada do Douro, surge uma Terra fértil – o Vale da Vilariça. Senhor de uma geografia única, pelo seu micro clima e características do solo, ali se produzem culturas da mais alta qualidade que abastecem os mercados nacionais: vinho, azeite, hortaliças, frutas, com realce para o muito apreciado melão da Vilariça, nas variedades de carrasco e lagarto, justos merecedores de vários prémios em distintos concursos. Vale encantado de silêncios únicos, de Estelas perdidas nos tempos que as mãos laboriosas das gentes do vale encontraram quase por encanto, descobrindo o maior Santuário Calcolítico, da Península Ibérica. E as águas medicinais hoje exploradas industrialmente são mesmo a “cereja do bolo” a dar trabalho a dezenas de famílias que desta forma se fixam no vale. Privilegia-se a caça ao tordo, pombo, rola, perdiz, lebre coelho e javali.

Por último, janelas rasgadas sobre o vale, povoados recheados de património: solares, cruzeiros, pelourinhos, fontes de mergulho… granito e xisto, num casamento harmonioso que o tempo foi sedimentando. Um “ex libris” de todo o chão Transmontano e Alto Duriense, nessa sua dimensão de terra fértil à disposição do Homem, que teve a felicidade de ali nascer, crescer e habitar, numa conjugação perfeita entre a vida e a terra
Rota do Planalto
Contrastando com o Vale da Vilariça, a montante de Vila Flor, nasce a terra planáltica, que se estende da freguesia da Trindade até Candoso e Mourão. Terra de vinho e azeite, de amêndoa e maçã, onde o povo se entrega à pastorícia, à apicultura, à exploração de cogumelos e à caça. Terra de cores e contrastes, onde o castanho do sobreiro se espraia por entre o verde-escuro das giestas, dos pinheiros, dos carvalhos, das silvas; terra de granito, fragas imponentes que a natureza ali esculpiu, de uma beleza ímpar, desafiando escultores, terra de tons e sabores, de cheiros que o vento arrasta. As rendas, os bordados e a tecelagem, fazem parte do artesanato do Planalto.

Rota do Vale do Tua

“Tua” é rio a emprestar o nome ao vale que se estende a poente do Concelho. Terra inserida na Região Demarcada do Douro, famosa pelo néctar que brota de castas selecionadas com rigor, a correr mundo ao sabor de um «Porto» agigantado pela fama. Quintas e adegas com produtos premiados em território nacional ou mesmo além-fronteiras, são paisagem ímpar que o turista abraça com sofreguidão. O azeite ali produzido e de excelente qualidade, dá um sabor ímpar aos peixes fritos do rio e à tenra carne do gado caprino e ovino. Nas suas diversas áreas cinegéticas ordenadas, pode usufruir-se da caça desportiva numa enorme área de sobreiros e pinheiro bravo. O rosmaninho que salpica o território, proporciona belíssimas paisagens dando origem a um delicioso mel. A cortiça permite um contributo expressivo ao orçamento familiar, tal como estatuetas cinzeladas em madeira, rendas e bordados, expressão da sua veia artesanal, esculpida ao longo de séculos.
As festas e romarias constituem motivos etnográficos e culturais de grande relevo no Concelho, como a romaria ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas, com a tradicional procissão.
A tradição da Semana Santa é outra manifestação de cariz religioso-cultural, com características peculiares.
A Feira Terraflor reúne todos os anos mais de uma centena de expositores mostrando o que de melhor se faz e se produz neste torrão transmontano.
No Verão, Vila Flor é procurada por centenas de turistas oriundos de vários cantos do país e do estrangeiro pela riqueza verdejante do Parque de Campismo. Os alojamentos, em Vila Flor, incluem Hotéis, Agro Turismos e Turismo Rural.
Vila Flor é uma terra de “Encantos e Paixões”. Concelho único. Um pedaço de terra, quente e fria, agreste e aveludada. Um recanto batizado pela beleza que desponta do mais puro e natural e se dá a conhecer através da simplicidade das suas gentes.

Recursos Naturais

São vastos os recursos naturais em Vila Flor. A vertente principal das paisagens centra-se no Parque de Campismo e sua zona envolvente, que integra a Barragem do Peneireiro, o Mini Zoo, o Circuito de Manutenção, a Pista de Motocross, dois Parques de Merendas, uma loja de artesanato e a Piscina Municipal, que recebe os apreciadores da água e do sol nos meses de Junho a Setembro.
O Parque de Campismo, que surge em 1983, enquadra-se numa paisagem lúdica de montanha e floresta. Inserido numa área total de cerca de 40 hectares, foi o primeiro Parque de Campismo do Distrito. Esta infraestrutura tem registado taxas de ocupação elevadas, registando em 2016 cerca de 12 mil registos de entradas, num total de 75 mil dormidas, entre nacionais e estrangeiros.
O interior do Parque está completamente arborizado e com algumas áreas relvadas. Pinheiros, eucaliptos, plátanos, choupos brancos, sobreiros e medronheiros, são algumas das variedades vegetais ali existentes. Possui courts de ténis, campo de futebol de cinco, campo de basquetebol, campo de futebol e voleibol de praia. Estas estruturas criam as condições ideais para uns dias de tranquilidade, repouso, lazer e também prática desportiva pois, a poucos metros, ergue-se o Estádio Municipal, que para além do atletismo e futebol, disponibiliza uma pista de tartan.
O Parque de Campismo de VILA FLOR está considerado um dos 5 melhores de Portugal.
Integrada ainda no complexo turístico do Peneireiro, está a piscina Municipal, com bar/restaurante, esplanada e um mini parque infantil. Todo este equipamento está orlado de altos ciprestes e salpicado de rosas.


Circundando o parque de campismo, encontra-se a Barragem do Peneireiro, lago artificial para abastecimento da sede do Concelho. Possui uma pista de motocross e um circuito de manutenção, com o objetivo de proporcionar o exercício físico ao ar livre e a socialização. 14 estações espalhadas pelo circuito de manutenção e respetivas placas informativas indicam, através de desenhos, o tipo de exercício a praticar. Esta aliança da prática do exercício físico com a natureza e a sensibilização para uma vida saudável, têm vindo a ser, cada vez mais, procuradas não só pelos residentes mas também pelos visitantes, especialmente nos meses de verão, já que o parque de campismo recebe muitas centenas de turistas na época balnear.
Adjacente à barragem, mais um espaço verde sobressai, onde se enquadra um Parque de Merendas e um Parque Infantil. Ao lado, no carinhosamente apelidado de “mini zoo”, alguns animais repousam, à vista de quem os queira visitar.
Além dos prazeres que se podem usufruir no local, como a pesca desportiva na albufeira, um passeio a Vila Flor, à sua zona antiga (dotada de ruas típicas, subir ao Miradouro e visitar o Santuário de Nossa Senhora da Lapa), são exemplo de momentos muito agradáveis para oferecer a quem visitar esta terra. Para os mais afoitos, todo o concelho é um convite à vida.

PATRIMÓNIO

Igreja Matriz

Sumptuosa e de elegante frontaria, a construção da Igreja Matriz de Vila Flor, dedicada a S. Bartolomeu, Padroeiro desta Vila, remonta ao Séc. XVIII.
Igreja barroca, de nave única e ampla, é coberta por um teto em abóbada de berço, formado por caixotões de madeira de castanho, com florões em talha dourada nos cantos; no teto da capela-mor, encontram-se 35 painéis com motivos decorativos. Os seus dois altares colaterais, do século XVII, são oriundos do Convento da Falperra, em Braga.
A capela lateral da nave, dedicada a Nossa Senhora das Graças, ostenta as armas dos Condes de Sampaio, outrora donatários desta Vila. O altar-mor, dos finais do séc. XVIII (1787), que ocupa toda a parede de frente para a nave, é executado em madeira e policromado com marmoreados em tons de azul, vermelho, laranja e rosa.
Destaca-se, ainda, um painel a óleo do Séc. XIX, da autoria do pintor Vilaflorense Manuel de Moura, e o seu Presépio, datado de 1876. Foi recuperado em 2007, e encontra-se, desde então, visível durante todo o ano.

Fonte Romana

Apesar de intitulada de “Fonte Romana”, a Fonte de Vila Flor é uma fonte quinhentista, com 4 pilares e 6 colunas jónicas, que suportam uma cúpula de tijolo; pela sua raridade e importância histórica, foi classificada como monumento de interesse público ao abrigo do Dec. Nº 27 394, DG 394 de 26 de Dezembro de 1936. Admite-se a hipótese deste recinto, em forma de «templete greco-galaico», ter sido utilizado como local de reuniões municipais dos homens bons da paróquia.

Arco D. Dinis

D. Dinis concedeu Foral a Vila Flor em 1286 e mandou erguer em seu redor uma cerca de muralhas com cinco portas em arco, restando apenas uma, o Arco de D. Dinis ou Portas da Vila, com 3,5 m de largura por 4 m de altura. Julga-se ter sido uma torre ou pequeno forte para protecção desta Porta virada a sudeste, que dava acesso à Fonte do Poço, hoje conhecida como Fonte Romana. Por ele podemos penetrar na densa atmosfera histórica circundante, vendo-se casas antigas que a tradição aponta como restos da Judiaria local. É Imóvel de Interesse Público por Decreto desde 1955.

Monte de Nossa Senhora da Lapa

A 1km a Norte de Vila Flor, no monte da Sra. da Lapa, localiza-se um dos mais belos Miradouros do Concelho, carinhosamente apelidado de “Capelinhas”. Para além da vista impressionante sobre Vila Flor, avistam-se várias aldeias, uma grande parte do Vale da Vilariça e outras terras distantes. À capela existente no Miradouro e Santuário, está associada uma bonita lenda, do período liberal. Ao lado do Santuário e no alto do Cruzeiro dos Centenários, situa-se um outro dos mais belos Miradouros do Concelho.

Santuário de Nossa Senhora da Assunção

“Este famoso Templo” que “Parece suspenso das nuvens”, nas palavras de Pinho Leal, representa o maior e um dos mais importantes Santuários Marianos de Trás-os-Montes. Erguido no século XIX no alto de um monte que domina toda a paisagem envolvente, representa um dos pontos mais altos do Concelho, com cerca de 760 metros de altitude. É também Miradouro de primeira qualidade. Junto ao varandim do adro obtém-se uma rara e vasta paisagem, cobrindo a vizinha Sanábria, Montesinho, Bornes, Mirandela e as vilas e aldeias vizinhas num raio de 100 km. A sua história é milenar visto ali ter existido um castro, escolhido pela sua capacidade de Posto de Vigia. Do vasto complexo que integra, destaque para a igreja de nave única, várias capelinhas espalhadas pelo recinto e um monumental escadório, tudo envolto em imensos tufos de floresta.
Ali se celebra a festa da Assunção de Nossa Senhora, cujo expoente máximo ocorre dia 15 de agosto com uma majestosa procissão que acolhe milhares de peregrinos.
O Santuário de Nossa Senhora da Assunção foi recentemente proclamado “Santuário Diocesano” pelo Bispo da Diocese Bragança Miranda, D. José Cordeiro.

Forca de Freixiel

Dominando a antiga vila de Freixiel, num pequeno promontório a nascente da povoação, encontra-se a Antiga Forca de Freixiel. É constituída por dois pilares de pedra granítica, de quase 3 metros de altura, onde no topo assentaria uma trave em madeira. É Imóvel de interesse público ao abrigo do Dec. Nº 42 007, DG 265 de 6 de Dezembro de 1958.
A aristocracia local, deixou o seu legado bem vincado nos inúmeros solares e casas brasonadas que proliferam por todo o concelho. Destacam- se pela sua imponência arquitectónica:
• Solar dos Capitães-Mores – Casa brasonada do séc. XVIII, mandada construir pelo Capitão-Mor de Vila Flor.
• Solar dos Condes de Sampaio – Também conhecido por Casa do Paço. Foi construído no séc. XVII no lugar do castelo. Tem numa das esquinas a pedra de armas dos titulares. Fica situado no Largo dos Condes de Sampaio.
• Solar dos Lemos – Mandado construir pelo Dr. João de Seixas Caldeira da Fonseca e Lemos, por volta de 1700. Estilo D. João V, sumptuoso e elegante, de primoroso rendilhado em granito, é, sem dúvida, um dos melhores edifícios particulares do Concelho de Vila Flor e um dos mais belos do Distrito de Bragança. A alta cabeceira da grandiosa porta de entrada está numa posição feliz com o Brasão, que é, sem favor, um perfeito trabalho de granito, pertencente à família Pinto de Lemos.
• Casa dos Viscondes de Lemos, Solar mandado construir em 1846 por António Pinto Seixas de Lemos, Visconde de Lemos. Ostenta, igualmente a pedra de armas do titular. Este palacete fica situado na rua da Misericórdia.
• Casa Paroquial – Antiga residência paroquial, armoriado com insígnias papais, mandada construir no início do séc. XIX pelos habitantes de Vila Flor. Este solar situa-se na rua da Igreja.~

Museu Municipal

Situado no Largo Dr. Alexandre de Matos, em edifício do Sc. XIII, o Museu abriu ao público em 1958, após ter sido restaurado para o efeito. Ali funcionou também a Biblioteca Municipal, graças à “devoção carinhosa de tantos Vilaflorenses”, como dizia o seu fundador, que ofertaram os 23 000 volumes que, então, a constituíam. Fornecia leitura gratuita ao domicílio, não só às 27 freguesias do Concelho mas também aos concelhos limítrofes.
Raul de Sá Correia, fundador e director até à sua morte em 1993, chamava-lhe o “Museu da generosidade. Possui cerca de 3000 peças, oferta de filhos e amigos do Concelho.
E foi assim que Raul de Sá Correia dotou o “seu” Museu com o vasto espólio que se encontra nas diferentes salas que o constituem: Pintura, Arqueologia, Etnografia, Artesanato Africano, Arte Sacra, Numismática e Medalhística. Importante é, também, o Arquivo – “Pequena Torre do Tombo”.

TERRAFLOR – Feira de Produtos e Sabores

A TERRAFLOR afirma-se como uma Feira de excelência na divulgação e promoção dos produtos locais, em especial do azeite, produto âncora, premiado em variados concursos da especialidade, aqui e além-fronteiras, mas também do vinho, cujas castas selecionadas das vinhas e quintas do Concelho, são rigorosamente transformadas em famoso e prestigiado néctar. Do Vale da Vilariça, vêm as saborosas e coloridas frutas. Os cogumelos, dos quais Vila Flor é um importante produtor, são outro ex-líbris da Feira. O queijo, o mel, os enchidos, o pão, etc, integram os cerca de uma centena de stands dedicados não só aos sabores, mas também aos saberes, como o artesanato, o comércio e os serviços. Da feira/festa, fazem parte as animações de rua, a dança e a música, os concursos rurais nas categorias de ovelha churra, da cabra serrana e do cão de gado transmontano, as jornadas técnicas e as atividades desportivas, onde têm lugar o Raid TT, gincanas e provas de BTT. Durante os dias do evento, não faltam as tradicionais provas de degustação e iniciativas ligadas à gastronomia. Com uma vasta rede de hotelaria de qualidade e uma restauração típica, esta Feira que também é Festa, constitui uma oferta apelativa para todos os que queiram visitar esta terra que teve o privilégio de ser batizada por um Rei.

www.cm-vilaflor.pt